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As relações da poluição com a desigualdade social




Por Marcos Toledo


Nós, humanos, estamos sempre interagindo com a natureza. E é justamente esta interação que fez com que nós evoluíssemos para nos transformarmos no que somos hoje. Ora, os humanos são animais sociáveis que modificam o seu ambiente para uso dos recursos naturais, criando impactos sobre todos os ecossistemas. Então, se não tivermos cuidado, esta interação – estes impactos negativos também – pode ser devastadora para o ambiente.

Um destes impactos negativos que a interação do homem com a natureza gera é a poluição. Aqui, entende-se poluição quando o humano introduz substâncias no ambiente, que geram efeitos negativos no equilíbrio do ecossistema. Que, por consequência, causa danos tanto à saúde dos humanos, quanto à "saúde" do planeta como um todo.


Por si só, a poluição é um efeito extremamente negativo que afeta toda a vida no planeta. Contudo, a poluição pode ser extrapolada pela variável “desigualdade social”. Ora, tanto na esfera internacional quanto nacional podemos perceber como a poluição, e a discussão sobre, pode afetar ainda mais países e pessoas mais pobres.


Apesar dos Estados desenvolvidos serem os que mais emitem gases causadores do efeito estufa, a concentração de poluição está nos Estados mais pobres, ou em desenvolvimento. Isto ocorre porque, muita das vezes, as grandes indústrias dos Estados desenvolvidos perdem mercado nestes países e buscam os Estados mais pobres, pois estes, costumam possuir leis mais brandas. O que facilita às empresas a se instalarem.


O mesmo acontece com a poluição urbana: a população mais pobre é mais afetada. Há estudos que comprovam que duas horas de trânsito e fumar um cigarro tem danos equivalentes à saúde do pulmão. Ora, sabemos que, dentro das cidades, é comum que os pobres tenham menos mobilidade urbana. Assim, esta população recebe doses maiores de poluição por perderem mais horas no trânsito, por exemplo.


Vale ressaltar que muitos rios estão poluídos, o que afeta ainda mais as pessoas que vivem em comunidades ribeirinhas. Estes, que muitas vezes não possuem saneamento básico, sofrem com o desenvolvimento de doenças e suas condições básicas de vida são prejudicadas.


Para concluir, percebemos que a poluição afeta com maior intensidade justamente aqueles que são mais vulneráveis, sobretudo em Estados com menos recursos. Peguemos Belo Horizonte como exemplo:


Desde o início, a Comissão que planejara a cidade de Belo Horizonte possuía estudos em relação à construção do sistema de esgoto da cidade. Apesar disso, a cidade acabou sendo inaugurada às pressas, em 1897, com uma rede de esgotos à beira da inexistência.


Já é a partir desse momento inicial (o qual tem resquícios até os dias atuais) que a construção da capital mineira passa a tratar as águas da cidade como um depósito de esgotos. Nos primeiros anos da cidade, os esgotos da cidade planejada caiam totalmente em estado natural no Ribeirão Arrudas e nos córregos dessa área.


Inicialmente, haviam construído uma rede de esgotos, em bairros como o Funcionários. No entanto, essa rede era insuficiente e apresentava vários problemas, caindo na inutilidade. Com o passar dos anos, o problema não foi resolvido, sempre com um baixo investimento em construção de redes de esgoto: a parcela da população da zona planejada jogava seus lixos e esgotos diretamente nos córregos que atravessavam suas casas, e o Ribeirão Arrudas também recebia boa parte desse esgoto, por lugares que não os emissários de esgoto construídos nessa época (BORSAGLI, 2016).


E a condição da área suburbana (composto por espaços mais afastados do que era considerado a parte "principal" da cidade) tendia a ser ainda pior, onde os esgotos corriam nas valas e ruas ainda parcialmente construídas. Os córregos dessa área, desde a inauguração da cidade, era tão ou mais poluído do que as águas da zona planejada.


Ou seja, o espaço suburbano, ocupado por parcelas mais pobres de Belo Horizonte, tinha condição ainda pior com taxas de poluição dos córregos ainda maiores. Essa realidade ainda é vista em Belo Horizonte, em que espaços considerados mais afastados da cidade são pouco ou nada vistos por Belo Horizonte.


Resumindo: mesmo hoje, as partes mais excluídas da cidade, ocupadas por parcelas mais pobres de Belo Horizonte, sofrem com condições mais precárias, o que tende a incluir a convivência com um espaço mais poluído.


 
 
 

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