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A política violenta e incompetente do governo Bolsonaro



Por Marco Túlio S. Morais


No dia a dia, quando se pensa em violência, normalmente refere-se ao ato violento de machucar fisicamente alguém. Isso inclui a ideia de, por exemplo, violência policial, agressão contra mulher, entre tantos outros tipos de violência física e que fere o outro explicitamente.


Apesar de ser importante reconhecermos esse tipo de violência, violentar alguém não para por aí. Existe uma dificuldade muito grande em entender que existe violência a nível psicológico, que muitas vezes deixam marcas no indivíduo. Também, existe um tipo de violência ainda menos levado em conta, que é a violência indireta.


Galtung (2004; 1969) explica que a violência indireta é quando alguém tem potencial de tirar alguém da situação de violentado, mas, mesmo assim, não faz nada. Imagine uma bola que desce um morro e que cabe a você ou que você tem total condição de decidir pará-la ou não, e, mesmo assim, escolhe por deixar a bola continuar rolando morro a baixo.


Essa analogia nos permite ilustrar o que é a violência indireta, ou seja, é a apatia frente a uma situação de violência, mesmo tendo condição de por fim a ela.


Violência indireta é, por exemplo, um Estado que vê mais de 1000 pessoas morrerem de COVID-19 e não toma atitudes contundentes, mesmo sendo o agente com maior capacidade para isso.


Esse é o que se entende ser o Brasil governado por Jair Bolsonaro (sem partido). Desde o início se mostrando indiferente e explicitamente indisposto a tratar dos efeitos e das mortes que a pandemia nos traz. São frases como “e daí, quer que eu faça o quê?” ou “eu não sou coveiro” (falas de fácil acesso na internet) que elucidam tal informação.


Por isso, pode-se afirmar que a maneira do atual governo de fazer política é violenta. Matar e deixar morrer são políticas igualmente violentas.


Somente violento não caracteriza o atual governo federal por inteiro. A incompetência ou a falta de estratégia em defender os interesses do país não pode ser deixada de lado. E, inclusive, talvez a violência e a incompetência façam parte de um mesmo objetivo política: fazer o caos no país.


Peguemos uma das mais recentes tomadas de decisão política de Bolsonaro, relacionado à Petrobras:


A Petrobras é uma das maiores empresas brasileiras, que movimenta e recebe bilhões de reais de investimento estrangeiro. Resumindo, ela gera um grande impacto sobre a economia brasileira, principalmente considerando que seu produto é o petróleo.


A troca de comando feita pelo presidente Jair Bolsonaro gerou um efeito de desconfiança por parte de investidores estrangeiros, fazendo com que os mesmos retirassem os seus investimentos da Petrobras.


Os investimentos estrangeiros, feitos mediante a moeda do dólar, são responsáveis por compor as reservas desse capital estrangeiro que o Brasil possui em seu sistema financeiro.

Uma vez que esses investimentos estrangeiros saem do Brasil, diminuí a quantidade de dólares possuída, e aumenta a sua escassez em nosso país.


Esse movimento de fuga e de escassez do dólar, torna essa moeda ainda mais valiosa justamente por conta da sua falta. E se o dólar fica mais caro, consequentemente, o real fica mais barato em relação ao dólar. Isso é o que entendemos como sendo a desvalorização do real.


Com o real valendo menos, os produtos tendem a ficar mais caros para os brasileiros, podendo dificultar a compra de produtos, principalmente o de importados. Esse é o efeito que a desvalorização da moeda tende a causar: encarecimento dos produtos, incluindo o próprio petróleo, que é diretamente afetado por essa crise e que já vem sofrendo aumentos desde antes da decisão de Bolsonaro.


Inclusive, o aumento do petróleo pode desencadear uma quantidade de aumentos em outros setores para os brasileiros, já que o transporte de, por exemplo, alimentos fica mais caro a medida em que o seu transporte também encarece.


Referências


GALTUNG, J. 2004. Violencia, guerra y su impacto.Tradução por María Anabel Cañon. [S.i.]:[S.n.]. Disponível em: <http://them.polylog.org/5/fgj-es.htm> Acesso em: nov.,

2018.


GALTUNG, J. 1969. Violence, Peace and Peace Research.Journal of Peace Research, v. 6, n. 3, p. 167-191. Disponível em: <http://www2.kobe3838u.ac.jp/~alexroni/IPD%202015%20readings/IPD%202015_7/Galtung_Violence,%20Peace,%20and%20Peace%20Research.pdf> Acesso em: nov., 2018.

 
 
 

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